Millennials

Ando meio sem imaginação para postar por aqui. Faz tempo que não faço nada muito diferente e enquanto é inverno eu sinto que a vida anda meio devagar. É incrível como a vida e o ânimo das pessoas aqui do hemisfério norte muda de janeiro a março. Acho que em dezembro está todo mundo ainda achando legal a nova estação, festas vem aí, mas chega agora essa época, ninguém aguenta mais e já quer que passe o frio e a neve e a chuva. Enquanto espero a primavera, onde reclamarei da chuva de todo dia (aqui chove todo santo dia por um mês em Abril..fica a dica#naovenhapraNYemabril), venho aqui divagar.

Muita gente fala e tem muita opinião sobre os Millennials (nascidos nos anos 80 até 2.000), a geração que veio depois da geração X, da qual, aliás, faço parte. Aqui nos EUA muita gente reclama que na área profissional são jovenzinhos muito esnobes, que não tem a menor noção da vida e principalmente de trabalho. Dizem valorizar mais o presente, curtir o momento do que planejar a longo prazo; preferem viajar a comprar uma casa. Fato é também que a geração anterior tende sempre a olhar para a próximas com ares de ‘Ah! na minha época..bla bla bla” e vem a nostalgia. Acho que essa geração é tão observada também porque caimos bem no meio da revolução Digital..conhecemos o mundo sem internet mas não nos imaginamos mais sem ela.

E nesses dias de marasmo vi um vídeo muito interessante sobre o assunto, que fala principalmente dos millennials no ambiente corporativo, da qual muitos fazemos parte. O cara (Simon Sinek, palestrante motivacional e consultor de marketing) fala sobre 4 aspectos que estão fazendo com que uma geração inteira beire à desmotivação ou até de certa maneira, à depressão de não encontrar significado na vida. É difícil fazer tradução direta sobre o que ele fala mas cá estamos pra bla bla blar sobre a vida né. So, please, pardon my french.

  • Criação/ educação falida (failed parenting strategy)

Ele fala de uma geração que cresceu ouvindo “Tudo o que eu quiser, só basta acreditar” (ele usou outra frase mas eu acho que essa da Xuxa cai como uma luva, haha); fala de muitos casos em que o aluno teve nota alta porque os pais reclamaram e, por consequência, os professores já não querem lidar com os pais e dão notas altas; das medalhas de participação que de certa forma tiraram o valor das medalhas de quem chegou em primeiro lugar, e que no fim, fazem a pessoa se sentir até pior. Essa geração chega no ambiente corporativo e guess what não existe aumento se você chegar por último e sua mãe não pode ligar para o seu chefe para pedir uma promoção

  • Redes sociais e tecnologia

O efeito viciante gerado pelas mídias sociais no cérebro, a liberação de dopamina (um neurotransmissor ligado ao efeito de recompensa), é a mesma gerada pelo consumo de álcool, pelo jogo e apostas. Ele fala sobre como estamos (e nessa eu incluiria não só os millennials mas todas as pessoas expostas à redes sociais) constantemente buscando essa recompensa (o like, o comentário, a interação e a validação constante de outras pessoas). Fala também de como isso está levando às pessoas desaprenderem (ou não aprenderem at all) a formar relações profundas e duradouras. Relações essas que são necessárias para aprendermos a lidar com frustrações e stress de todo dia.

  • Impaciência / Imediatismo(instant gratification): I want it..and I want it now!

Diz-se dos millennials que eles não tem paciência…porque não aprenderam a ter. Simon fala do instant click, do pedido pela internet que chega amanhã, das séries que você nem precisa mais esperar para ver o final, do app de namoro que nem exige mais aquela conversinha esquisita ‘e aí….how are you doing’. Tudo é imediato, é agora, é pra já. Óbvio que ninguém vai aprender a ter paciência se não tiver que ter. Nem eu que sou mais boba. Mas concordo que são essas pequenas coisas que nos levam a ir aprendendo que relações verdadeiras, esse sentimento de felicidade plena e auto-reconhecimento são processos árduos, longos e complicados e que levam tempo, muito tempo. Como ele diz..entre você e o cume existe a montanha..e não importa o quando rápido você passe por ela, não dá pra ignorar que tem uma montanha.

  • Ambiente

Pra mim esse é o grande ponto dessa discussão. Ele fala principalmente do ambiente corporativo e eu acho que os itens anteriores se expressam sim em outras gerações, resultando em líderes / gestores impaciente, que buscam a tal recompensa imediata e que estão também suscetíveis ao maravilhoso mundo dos likes e respostas instantâneas. Porém, seguem exigindo alto padrão de performance de pessoas que acabam de sair da faculdade, no entanto, sem nenhuma vontade, disposição e paciência de ensinar.

No geral eu não me vejo uma millennial “típica” como falam por aí, também porque nasci no comecinho da época. Mas uma coisa que eu acho que fez muita diferença na minha formação profissional e do mundo corporativo foi a paciência dos meus gestores em ensinar, em mostrar caminhos e em motivar a ver diferentes perspectivas e pontos de vistas. O incentivo a ir além e pensar o problema de outro jeito pra atingir melhores resultados. Eu creio que tenho isso nato em mim mas foi pelo ambiente onde fui ‘educada’ que eu pude desenvolver essas habilidade, que não são natas por si só.

Porém eu vejo muito pouco ou quase zero empenho de muitos gestores em dar esse tempo para formar pessoas, desenvolver talento. E vamos combinar que não é a faculdade que ensina nada disso, muito longe disso. Os chefes em si ficam no telefone, dão pouca ou nenhuma atenção para ouvir e debater desenvolvimento de carreira. Muitos têm zero paciência em mostrar o contexto ou o porquê do que estão pedindo. E não que eu ache que isso é “de bom tom“, “nice to have”, mas porque dando o contexto e o porquê você dá ferramentas para que a pessoa pense em diferentes soluções e possa entregar além de suas expectativas.

Então para mim nessa discussão toda, cabe sim a nós em ir desenvolvendo as pessoas que gerimos. Minha chefe, que é também life coach, diz que existem três coisas pra avaliar quando reclamamos 1/ Compaixão, por si e pelos outros 2/ Seja verdadeiro, e 3/ Responsabilidade: o que EU estou fazendo pra muda? E uma coisa não vai sem a outra. Verdade sem compaixão é apenas maldade. E os dois sem responsabilidade pessoal não leva a nada. Assim, não adianta só reclamar da geração “mimimi“, tem é que arregaçar as mangas e fazer a sua parte como gestor e como pessoas do mundo.

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